Muitos alunos tem me procurado ou mandado mensagens pedindo que eu escrevesse o que penso sobre o chamado "Brexit", ou seja, sobre o plebiscito que definiu a saída do Reino Unido da União Européia.
Antes de mais nada, vamos fazer um breve histórico sobre a relação do Reino Unido com a União Européia.
No final dos anos 80 e início dos anos 90, a Europa passava por um processo de construção e desconstrução. A Europa da Guerra Fria ruía, com a queda do Muro de Berlim, a reunificação da Alemanha. O fim da URSS e da "Cortina de Ferro" trazia novas perspectivas para a Europa.
A Europa havia se reconstruído, após a Segunda Guerra Mundial, e um dos instrumentos importantes para isso foi a progressiva integração do continente. Começou com acordos como o Benelux, nos anos 50 e evoluiu para a Comunidade Econômica Européia, nos anos 70.
A Crise Econômica dos anos 80, expôs os problemas do modelo do "wellfair state", que predominou na Europa Ocidental após a guerra. Estados inchados, pesados e deficitários, impulsionavam reformas em vários países, como a França e o próprio Reino Unido, comandado por Margareth Tatcher.
Nessa perspectiva, as ideias de ampliação de áreas de livre circulação de moeda, pessoas e produtos, surgia como uma proposta para fortalecer todo o continente, tanto do ponto de vista econômico, quanto do ponto de vista geopolítico, com a Europa emergindo, a partir de uma União Aduaneira e a caminho de uma inusitada e quase utópica União Política, novamente como protagonista, agora em uma Nova Ordem Mundial, que se apresentava como multipolar.
O Reino Unido, sob o comando de Thatcher, tinha posição ambígua com relação à esse processo: defendia e apoiava as liberdades econômicas, como fez em 1975, quando ela e os conservadores apoiaram o "SIM" à manutenção do Reino Unido na Comunidade Econômica Européia, mas, tinha sérias restrições quanto ao processo de ampliação para outros setores, principalmente quanto à união política que, na opinião dela, ameaçava a soberania de seu país.
(Thatcher fazendo campanha a favor da entrada do RU no MCE, em 1975)
Pois bem. Guardemos então essa informação: setores políticos e sociais do Reino Unido sempre tiveram um pé atrás com o avanço das discussões que envolviam a União Européia no que tange a questões de soberania nacional, mas, desejavam os benefícios econômicos que ela podia trazer.
Quando foi criada a Zona do Euro, a moeda única européia, mais uma vez o Reino Unido se apresentava dividido e a solução para mantê-los no bloco foi aceitar uma situação de exceção, assim estendida também à Dinamarca; aceitam a circulação do Euro em suas economias, mas mantém suas moedas, Banco Central próprio e autonomia quanto à política monetária. Situação prevista pelo Tratado de Maastricht.
Da mesma forma, o Reino Unido se posicionou quanto ao "Espaço Schengen". O Espaço Schengen, acordo que determina a abertura de fronteiras entre os países signatários foi vinculado à União Européia em 1997, podendo os Estados Membros optarem por aderir ou não a ele. O Espaço Schengen tem como objetivo criar políticas comuns de imigração, concessão de vistos, ordem pública e segurança nacional. O Reino Unido se posicionou apenas como colaborador em caso de questões policiais e judiciais, mas não aceita regras comuns de imigração, fronteiras, concessão de vistos e segurança nacional. (Veja o mapa abaixo).
(Schengen Zone)
Nos últimos vinte anos, como sabemos, a geopolítica mundial mudou bastante. A União Européia mudou junto com ela. Nos anos 70, quando o processo de integração começou, eram 9 países membros. Hoje, são 28, e novos países aguardam confirmação de ingresso.
A imigração passou a ser um dos grandes problemas que a UE enfrenta, nos últimos anos, e certamente é uma questão central nos desentendimentos entre os países membros. O Reino Unido, apesar de não ser signatário do Espaço Schengen e portanto das políticas do bloco quanto à imigração e circulação de pessoas entre os países membros, sente-se pressionado a se envolver e participar dos debates e das decisões quanto aos milhões de imigrantes que buscam a UE, vindos principalmente da África e do Oriente Médio - mas não somente destes, já que há milhares de latino-americanos, asiáticos. e também russos e demais países do Leste da Europa.
Apesar de não participar das cotas estabelecidas pela UE para os países membros, é comum vermos centenas e centenas de imigrantes tentarem migrar para o Reino Unido através da França e do Eurotúnel. As comunidades de imigrantes no Reino Unido aumentam a cada ano, tornando este um dos pontos centrais da pressão política que gerou o recente plebiscito, que já era promessa de campanha do primeiro-ministro David Cameron. Portanto, há sim, um conteúdo xenófobo por trás do crescimento do apoio à saída do Reino Unido da UE, especialmente se observarmos que o grande empenhado no apoio ao "Leave", foi o Partido Nacionalista do Reino Unido e o aplauso ao resultado do plebiscito veio também dos ultranacionalistas da Europa, como a Deputada Le Pen, da França.
Outro argumento muito usado durante as campanha pelo "Leave or Remain" foi o excesso de regulamentação e intervenção em questões econômicas e políticas sociais da UE. Os defensores do "Leave" afirmam que a participação na UE dificulta acordos paralelos e mais vantajosos para o Reino Unido. Esse argumento, entretanto, me parece apenas cortina de fumaça, uma vez que o Reino Unido não está submetido a todas as determinações da UE, desde seu ingresso. Goza de situação especial, que condicionou a sua entrada não só na UE mas desde a Comunidade Econômica Européia nos anos 70. E soa ainda mais frágil esse argumento quando se investigam as principais relações econômicas do reino Unido, que são os EUA e a própria UE.
Finalmente, queria observar que a saída do Reino Unido da UE, por suas próprias condições de ingresso e pelas características econômicas já citadas, não constitui uma tragédia, nem para o Reino Unido, nem para a UE, a princípio.
O que mais importa no BREXIT são os desdobramentos dele. Imagino que isso vá trazer uma onda de questionamentos semelhantes, a começar pelo próprio Reino Unido. Imediatamente após o resultado das urnas, a Escócia já declaração sua intenção de permanecer na UE e até mesmo separar-se do Reino Unido para isso, se necessário. Poucos anos atrás, a Escócia realizou um plebiscito pela permanência ou não do país na Reino Unido. O resultado foi apertado e um dos argumentos dos que votaram A FAVOR da permanência no Reino Unido foi exatamente a permanência da Escócia da UE.
Além disso, toda a Europa pode viver uma onda nacionalista, estimulada por esse resultado e pelas preocupações nacionalistas e xenófobas que tem aumentado na mesma proporção dos atentados, cada vez mais comuns, e ligados a imigrantes, especialmente do Oriente Médio.
Em resumo, nada apocalíptico, mas com certeza aponta para uma possível Novíssima Ordem Mundial, na minha opinião, e não há como prever para onde essa "Novíssima Ordem" caminhará, E é exatamente isso que traz toda essa angústia e preocupação que vemos pelo mundo afora.
sábado, 23 de julho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
07 PERGUNTAS QUE VC PROVAVELMENTE SE FAZ SOBRE O RAMADÃ, MÊS SAGRADO PARA OS MUÇULMANOS
7 perguntas que você provavemente se faz sobre o ramadã, mês sagrado para os muçulmanos
POR DIOGO BERCITO
Começa hoje ao redor do mundo o mês sagrado do ramadã, durante o qual muçulmanos jejuam entre o nascer e o pôr do Sol. É um período importantíssimo em países islâmicos não apenas como ritual religioso, mas também como tradição cultural. Há uma série de costumes típicos desse período, e também pratos específicos para o desjejum.
Mas o que significa tudo isso, e por que afinal muçulmanos –mais de 20% da população mundial– deixam de alimentar-se durante este mês? O Mundialíssimo blog responde abaixo a sete perguntas sobre o ramadã, para quem nunca entendeu do que se trata essa tradição.
O que muçulmanos celebram durante o mês do ramadã?
O mês do ramadã marca o período durante o qual o Alcorão, o livro sagrado do islã, foi revelado ao profeta Maomé no século 7. O Alcorão tem um papel central na religião muçulmana, e seu surgimento é um marco da história dos povos árabes. O período anterior ao islã é conhecido, em árabe, como “ignorância”.
O mês do ramadã marca o período durante o qual o Alcorão, o livro sagrado do islã, foi revelado ao profeta Maomé no século 7. O Alcorão tem um papel central na religião muçulmana, e seu surgimento é um marco da história dos povos árabes. O período anterior ao islã é conhecido, em árabe, como “ignorância”.
O que acontece durante esse período?
O jejum durante o ramadã é um dos cinco pilares do islã, e exigido de muçulmanos praticantes. O mês é marcado também pela abstenção do sexo durante o dia e pelas boas ações. Há pessoas que não seguem a tradição, a depender da família e do indivíduo, mas em países conservadores é de bom tom não comer ou beber nada em público. Diversos estabelecimentos fecham, ou modificam seus horários de atendimento, alterando toda a rotina da comunidade.
O jejum durante o ramadã é um dos cinco pilares do islã, e exigido de muçulmanos praticantes. O mês é marcado também pela abstenção do sexo durante o dia e pelas boas ações. Há pessoas que não seguem a tradição, a depender da família e do indivíduo, mas em países conservadores é de bom tom não comer ou beber nada em público. Diversos estabelecimentos fecham, ou modificam seus horários de atendimento, alterando toda a rotina da comunidade.
Todo o mundo MESMO precisa jejuar?
Não. Há uma série de isenções, como aos idosos, aos enfermos, às crianças e às mulheres grávidas ou em período de menstruação. O jejum tem efeitos na saúde, e pode ser perigoso de acordo com a pessoa. Períodos mais curtos de sono também preocupam a comunidade médica durante esse mês.
Não. Há uma série de isenções, como aos idosos, aos enfermos, às crianças e às mulheres grávidas ou em período de menstruação. O jejum tem efeitos na saúde, e pode ser perigoso de acordo com a pessoa. Períodos mais curtos de sono também preocupam a comunidade médica durante esse mês.
Deve ser uma loucura na hora de quebrar o jejum, quando anoitece…
As refeições pós-ramadã, chamadas “iftar”, são conhecidas pela fartura. A maneira tradicional de começar o desjejum é beber água e comer tâmaras. Há também uma bebida típica chamada Qamar al-Din, preparada a partir de uma pasta de damasco. Há rezas específicas, e leituras de trechos do Alcorão. Mesquitas organizam banquetes públicos, durante o mês. A refeição pela manhã antes do jejum, chamada “suhur”, é também tradicional.
As refeições pós-ramadã, chamadas “iftar”, são conhecidas pela fartura. A maneira tradicional de começar o desjejum é beber água e comer tâmaras. Há também uma bebida típica chamada Qamar al-Din, preparada a partir de uma pasta de damasco. Há rezas específicas, e leituras de trechos do Alcorão. Mesquitas organizam banquetes públicos, durante o mês. A refeição pela manhã antes do jejum, chamada “suhur”, é também tradicional.
Mas por que tudo isso?
A ideia é lembrar os fiéis das agruras daqueles que sofrem durante o restante do ano. O islã tem um forte componente comunitário. Também se espera que o muçulmano se aproxime da religião, durante o mês do ramadã. Como efeito colateral do longo tempo passado em casa, o número de espectadores de televisão atinge recordes, e as telenovelas de ramadã são um fenômeno cultural em países como o Egito e a Turquia.
A ideia é lembrar os fiéis das agruras daqueles que sofrem durante o restante do ano. O islã tem um forte componente comunitário. Também se espera que o muçulmano se aproxime da religião, durante o mês do ramadã. Como efeito colateral do longo tempo passado em casa, o número de espectadores de televisão atinge recordes, e as telenovelas de ramadã são um fenômeno cultural em países como o Egito e a Turquia.
Quando exatamente é o ramadã?
Depende. O calendário islâmico é lunar, e não solar. Isso significa que os meses variam em relação ao calendário gregoriano que usamos, por exemplo, no Brasil. O ramadã só começa quando a lua nova é vista nos céus, e dura entre 29 e 30 dias, de acordo com a rede de TV árabe Al Jazeera. A cada ano, o mês se inicia cerca de 11 dias mais cedo.
Depende. O calendário islâmico é lunar, e não solar. Isso significa que os meses variam em relação ao calendário gregoriano que usamos, por exemplo, no Brasil. O ramadã só começa quando a lua nova é vista nos céus, e dura entre 29 e 30 dias, de acordo com a rede de TV árabe Al Jazeera. A cada ano, o mês se inicia cerca de 11 dias mais cedo.
A variação da data é importante?
Sim. Imagine que, durante este mês, os muçulmanos que respeitem a tradição do ramadã não poderão comer ou beber nada entre o nascer e o pôr do Sol. É um cenário bastante difícil quando o ramadã coincide com o verão. O Cairo tem registrado temperaturas acima dos 40º C, e os dias são mais longos nesta época do ano. Segundo o jornal britânico “Guardian”, este ramadã será especialmente complicado no hemisfério norte. Na Espanha, por exemplo, o jejum vai durar cerca de 17 horas.
Sim. Imagine que, durante este mês, os muçulmanos que respeitem a tradição do ramadã não poderão comer ou beber nada entre o nascer e o pôr do Sol. É um cenário bastante difícil quando o ramadã coincide com o verão. O Cairo tem registrado temperaturas acima dos 40º C, e os dias são mais longos nesta época do ano. Segundo o jornal britânico “Guardian”, este ramadã será especialmente complicado no hemisfério norte. Na Espanha, por exemplo, o jejum vai durar cerca de 17 horas.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
A MÍDIA ESTÁ CHEIA DE ANTISSEMITISMO E ÓDIO POR ISRAEL
ATIVISTA PALESTINO DE DIREITOS HUMANOS: “A MÍDIA ESTÁ CHEIA DE ANTISSEMITISMO E ÓDIO POR ISRAEL”
Publicado originalmente em: The Algemeiner E-paper.
Um
proeminente ativista de direitos humanos palestino lamentou nesta
segunda-feira à noite o que ele chamou de um tratamento injusto da
mídia ao Estado judeu.
Em
um ato pró-Israel oferecido pelo grupo de defesa StandWithUs em New
York, Bassem Eid, um hierosolimita (nascido
em Jerusalém), disse a imprensa está “cheia de
antissemitismo” e “ódio”, está “muito mais interessada em
lutar contra Israel” do que descobrir a verdade. Então, ele
acrescentou: “Vamos [palestinos] dizer ao mundo o que realmente
estamos sofrendo.”
Eid,
um ex-diretor Grupo de Acompanhamento dos Direitos Humanos
Palestinos (PHRMG), disse que os palestinos estão “fartos e
sem esperança”, e perderam a confiança na Autoridade Palestina
(AP). Enquanto isso, afirmou ele, Israel é “o lugar mais seguro”
para os palestinos no Oriente Médio.
Ele
continuou: “Quando os árabes israelenses se queixam Israel,
digo-lhes: ‘Então se mudem para a Síria, vão para o Iêmen …’
E eles podem, mas vai ser pior para eles lá.” Ele também citou
uma recente pesquisa realizada pela Instituto Washington para
Política do Oriente Próximo que revelou que uma maioria de árabes
de Jerusalém Oriental prefere viver sob domínio israelense do que
de palestinos.
Falando
sobre a atual onda de terrorismo varrendo Israel, Eid disse: “Quando
eu assisto TV e vejo um jovem palestino – de 13, 14 ou 15
anos de idade – segurando uma faca na mão, correndo na rua e
querendo esfaquear e matar, eu penso que é a coisa mais bárbara que
eu já vi. Esfaquear judeus vai resolver meus problemas? Matar um
judeu vai resolver meus problemas? Olhe para o Hamas – nos últimos
nove anos eles estão atirando foguetes. O que nós, como palestinos,
alcançamos? Sejamos um pouco realista. ”
Ele
continuou: “Eu [como um palestino] não quero ser mais uma vítima
… Eu quero ser considerado como um ser humano que tem o controle
total do meu próprio futuro e o futuro dos meus filhos.”
Eid
também afirmou que Jerusalém se tornou uma “vítima” de vários
movimentos políticos palestinos concorrentes, incluindo a Fatah, o
Hamas e até mesmo movimentos islâmicos dentro de Israel, que,
segundo ele, estão todos “, acrescentando combustível para a
fogueira.” Ele disse que o interesse do Fatah no momento é apenas
aumentar a violência em Israel, e que, mesmo que Abbas fosse chamar
aos palestinos para acalmar as tensões em Jerusalém Oriental,
“Ninguém iria ouvi-lo.”
Esta
é uma das muitas razões que Eid acredita que os palestinos terão
que esperar pelo menos mais uma geração – “20 -25 anos” –
para uma solução da sua situação
sábado, 27 de junho de 2015
A HISTÓRIA COMPLETA DA BANDEIRA CONFEDERADA
A
HISTÓRIA COMPLETA DA BANDEIRA CONFEDERADA
Com
a formação dos Estados Confederados da América no início de 1861,
uma das primeiras ordens foi criar uma bandeira para a nova nação,
a Comissão da Bandeira e do Selo foi formada, e essa era sua tarefa.
Havia basicamente duas escolas de pensamento na criação da
bandeira. Uma delas foi criar algo que se assemelhasse a bandeira
existente bandeira dos EUA. A segunda escola de pensamento era criar
uma bandeira muito diferente do que a dos EUA. Na época, ainda havia
sentimentos de lealdade à bandeira dos EUA original e a opinião
popular foi se alinhando em apoio de uma bandeira que era semelhante
à bandeira dos Estados Unidos. Tal opção foi proposta e criada.
Esta bandeira é mostrada à direita.
A
bandeira proposta assemelhava-se à bandeira dos Estados Unidos, mas
substituiu as faixas por 3 barras. A bandeira tinha sete estrelas,
uma para cada estado que fazia parte da confederação no momento.
Esta bandeira foi apelidada de "Stars and Bars".
A bandeira dos Estados Unidos era conhecida como a "Stars
and Stripes". Esta bandeira tinha substituído as listras
com barraes, por isso era lógico chamá-la de "Stars
and Bars". Atualmente as pessoas se referem à bandeira de
batalha dos Confederados (foto no topo da página) como "Stars
and Bars". Estritamente falando, essa não é uma descrição
correta da bandeira de batalha dos Confederados.
Aqueles
que preferiam uma bandeira muito diferente daquela dos Estados Unidos
propuseram várias bandeiras diferentes, uma das quais mais tarde se
tornaria a bandeira de batalha dos Confederados.
Em
de março de 1861, aqueles que apoiaram uma bandeira semelhante à
dos Estados Unidos prevaleceram, e a "Stars and Bars" se
tornou a bandeira nacional oficial da Confederação. O primeiro uso
da bandeira oficial foi na inauguração de Jefferson Davis em 4 de
março de 1861.
Ao
longo dos anos, mais Estados se juntaram a Confederação e por isso
mais estrelas foram acrescentadas à bandeira. Eventualmente,
a "Stars and Bars" chegou a ter 13
estrelas. Os treze estados representados foram: Carolina do Sul,
Mississippi, Flórida, Alabama, Geórgia, Louisiana, Texas, Virgínia,
Arkansas, Carolina do Norte, Tennessee, Missouri e Kentucky.
Com
este assunto resolvido, os participantes procederam com a acusação
da Guerra. Embora houvesse várias escaramuças menores início em
1861, a primeira grande batalha do ano foi a de Batalha de Bull Run,
que foi travada em 21 de julho de 1861. Foram mais de 4.800 homens
mortos ou feridos nos dois lados.
Na
Batalha de Bull Run, houve uma série de regimentos Confederados que
usaram a bandeira confederada nacional como bandeira de luta. Apesar
de ter uma bandeira nacional que se parece com a velha bandeira dos
Estados Unidos poderia ter sido reconfortante para as pessoas da
Confederação recém-formada, que acabou por ser uma má ideia no
campo de batalha. Na batalha, o propósito de uma bandeira é para
ajudar a identificar quem é quem. Quem está do seu lado e quem está
do outro lado. A partir dessa perspectiva, tendo dois lados lutando
sob bandeiras que são semelhantes na aparência, percebeu-se que era
uma ideia muito ruim, que realmente causou um certo grau de confusão
na Batalha de Bull Run.
A
confusão causada pela semelhança nas bandeiras foi de grande
preocupação para o general confederado P.G.T. Beauregard. Ele
sugeriu que a bandeira nacional fosse alterada para algo
completamente diferente, para evitar confusão em batalhas no futuro.
Esta ideia foi rejeitada pelo governo Confederado. Beauregard, em
seguida, sugeriu que deveria haver duas bandeiras. Uma, a bandeira
nacional, e a segunda sendo uma bandeira de batalha, com a bandeira
de batalha sendo completamente diferente da bandeira dos Estados
Unidos.
Beauregard
foi bem sucedido em ter uma bandeira de luta diferente. A escolhida
foi realmente semelhante a uma das bandeiras que já havia sido
proposta para ser a bandeira nacional. A bandeira de batalha seria um
X azul em um campo vermelho. Como uma bandeira de batalha, a bandeira
seria quadrada. A bandeira tinha 13 estrelas, para os treze estados
da Confederação. Esta bandeira foi usada pela primeira vez em
batalha, em dezembro de 1861. Sendo uma nova bandeira, diferente da
bandeira dos Estados Unidos, ganhou ampla aceitação e fidelidade
entre os soldados confederados e população em geral. A bandeira é
referida como a bandeira confederada, e como a bandeira de batalha do
Exército da Virgínia do Norte.
Deve-se
notar, no entanto, que havia muitas bandeiras diferentes batalha
usadas em momentos diferentes e por regimentos diferentes na guerra.
A
bandeira nacional da Confederação é hoje quase esquecida e a
bandeira de batalha do Exército da Virgínia do Norte tornou-se o
símbolo mais associado a Confederação e continua a ser um símbolo
controverso, por ter sido usado por grupos racistas nos EUA, como a
KKK.
BANDEIRA
NACIONAL CONFEDERADA: (1861-1863)
BANDEIRA
DE BATALHA DA VIRGÍNIA DO NORTE E DEPOIS BANDEIRA NACIONAL
CONFEDERADA (1863-1865) – Posteriormente usada como símbolo de
grupos racistas nos EUA
BANDEIRAS
QUE AINDA LEMBRAM AS BANDEIRAS CONFEDERADAS NOS EUA:
BANDEIRA
DO MISSISSIPPI:
BANDEIRA
DO ESTADO DA GEÓRGIA:
terça-feira, 21 de abril de 2015
A SENTENÇA DE TIRADENTES E ALGUMAS CURIOSIDADES
A
Tiradentes foi proferida a seguinte sentença:
"Portanto
condenam ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o
Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da capitania de Minas, a
que com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao
lugar da forca e nela morra morte natural para sempre, e que depois
de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde em
lugar mais publico dela, será pregada, em um poste alto até que o
tempo a consuma; e o seu corpo será dividido em quatro Quartos, e
pregado em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das
Cebolas, onde o réu teve suas infames práticas, e os mais, nos
sítios de maiores povoações, até que o tempo também os consuma;
Declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo os seus bens
aplicados para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila
Rica, será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se
edifique."
No
dia 21 de abril de 1792, as 9.00 H, inicia o triste cortejo: À
frente uma Cia. de Soldados, depois os frades dizendo orações e em
seguida Tiradentes, o laço da forca no pescoço e a ponta da corda
segura pelo carrasco, e quase abraçado ao condenado, Frei Penaforte
reza com ele.
Descalço,
com o cabelo todo raspado e sem barba, vestido com uma camisola
branca, Tiradentes seguia de Cabeça erguida, porte erecto, e passo
firme a marcha para a forca, construída no Lago da Lampadosa (Atual
Praça Tiradentes) onde às 11:20 hs Tiradentes foi enforcado
Glossário:
BARAÇO
E PREGÃO - baraço é o laço de apertar a garganta; pregão era
a descrição da culpa e da pena
Antigo
Largo da Lampadosa, depois Praça Tiradentes, no RJ, onde foi a
execução
Praça Tiradentes, RJ, Hoje.
O ROSTO DE TIRADENTES:
Não há nenhuma
informação minimamente confiável sobre a aparência desse
personagem. Todas as imagens existentes dele são idealizadas.
Tentativas de reconstruir sua verdadeira aparência esbarram no fato
de não existir o crânio, com o qual seria possível, hoje,
reconstituir seu rosto. A cabeça de Turadentes foi roubada e não se
sabe o destino que teve.
A única imagem que
conhecemos dos inconfidentes é o rosto de Resende Costa,
reconstituído a partir de sua ossada, recentemente.
Reconstituição do
rosto de José Resende Costa – Inconfidente, degredado em 1792 para
Angola. Foi para Portugal anos depois e ainda voltou ao Brasil em
1808, na comitiva de D. João VI
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
CRÔNICA DE UMA FILA NA VENEZUELA
"ESTE PAÍS NÃO ERA ASSIM"
VALENTINA
OROPEZA
Publicado: Estado de São Paulo
Sentado em uma cadeira dobrável para suportar a espera na fila na
frente de uma farmácia em Caracas, Hernando lamenta a escassez.
“Esse país não era assim. Antes tínhamos liberdade para comprar,
investir e crescer”, afirmou. Há meses, filas longas, lentas e
tensas antecedem a compra de produtos escassos como leite, café,
fraldas, sabão em pó ou xampu.
O governo de Nicolás Maduro diz que o desabastecimento é
consequência de uma “guerra econômica” dos empresários contra
a sua gestão, por meio da especulação.
O setor privado, no entanto, afirma que a escassez é resultado do
controle cambial vigente desde 2003, que não garante divisas para
pagamento das empresas importadoras e fomenta a corrupção e o
contrabando. A queda dos preços do petróleo também contribui para
o desabastecimento.
“Agora
comemos o que o governo decide colocar nas prateleiras”, comentou
Hernando, depois de contar que um vendedor ambulante lhe ofereceu um
pacote com 32 fraldas por 950 bolívares. Ao preço de tabela,
custaria 150 bolívares.
Logo que amanheceu, a professora Lorena saiu de casa para encarar a
fila da mesma farmácia, uma filial da Farmatodo – cadeia
particular acusada por Maduro de promover filas para “irritar a
população”.
Às 7h30 (horário local), as portas do estabelecimento foram
abertas. Os empregados disseram que estava para chegar um caminhão
com mercadorias. Uma hora depois, dois empregados escoltados por dois
guardas saíram com três caixas de sabonete, duas de xampu e uma
instrução clara: dois exemplares de cada produto por pessoa.
“Dois
xampus e dois sabonetes, ganhamos na loteria”, disse Lorena,
enquanto arregaçava as mangas pronta para se apoderar da sua parte
de bens regulamentados pelo governo.
Após um minuto acabou o xampu, mas ainda restava uma caixa de
sabonetes. Surgiram dois agentes do Serviço Bolivariano de
Inteligência (Sebin) e pediram para o empregado da farmácia lhes
entregar a caixa. O alvoroço transformou-se em silêncio,
interrompido por uma compradora. “Isso é um abuso, levamos só
dois sabonetes e vocês ficam com tudo!”
Os agentes, com suas armas na cintura e algemas presas no cinturão
abriram caminho em meio aos compradores e desapareceram por uma porta
com o aviso “somente pessoas autorizadas”.
O governo de Maduro ordenou às unidades de segurança para
protegerem os estabelecimentos, enquanto funcionários impedem os
repórteres fotográficos de retratarem as filas ou as prateleiras
vazias.
Na mesma fila, Sofía contou que há três meses está à caça de um
nebulizador contra asma. “Coloquei toda minha família e meus
amigos na procura de um inalador. Estou pedindo até pelo Twitter”,
disse ela.
Diante da escassez, a estudante universitária de 23 anos pensa em
viajar até a fronteira com a Colômbia. “Vou trazer inaladores
para o ano todo.”
Nos mercados controlados pelo Estado, as filas são organizadas com
base em números marcados no braço dos compradores ou no documento
de identidade: as pessoas cujos números nas cédulas terminam em 0 e
1 podem comprar às segundas-feiras; 2 e 3, às terças e assim
sucessivamente.
Alguns
consumidores tentam fazer negócio com a situação. Vender o lugar
na fila ou fazer o mercado e cobrar uma remuneração diária por
isso são soluções encontradas para enfrentar a crise econômica no
país que fechou 2014 com a inflação em 68,5%.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
ANTES E DEPOIS: PRIVATIZAÇÕES MELHORARAM A SAÚDE DAS EMPRESAS E AUMENTARAM A ARRECADAÇÃO DO ESTADO COM ELAS
ANTES E DEPOIS DA VENDA
André Lahoz. Revista Exame
(Observação: os números, hoje, em 2015, são ainda mais significativos, em termos de lucratividade, para todas as empresas aqui citadas. Prof. Murilo)
Ao atacar as privatizações feitas ao longo da década de 90, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou duas acusações aos governos de seus antecessores. A primeira, fartamente debatida nas últimas semanas, é a de corrupção -- supostamente denunciada a Lula por um alto integrante de seu governo, que em troca teria recebido do próprio presidente uma ordem direta para acobertar o crime. Conforme o tempo passa e nem uma única prova aparece para dar embasamento à acusação, fica a impressão de que tudo não passou de mais um escorregão verbal que tristemente vai se tornando uma marca registrada de Lula. Sobra então a segunda acusação embutida na fala presidencial -- a de que o processo de desestatização teria acarretado prejuízo ao país. Trata-se de uma repetição da velha crítica feita pela esquerda sobre certa "onda neoliberal" que teria se abatido sobre o país nos anos 90 e fragilizado a economia brasileira. Nesse caso, o melhor a fazer é simplesmente abandonar preconceitos ideológicos e fazer uma avaliação objetiva dos resultados da privatização no Brasil. Foi o que fez EXAME. O quadro ao lado traz um resumo do efeito da venda das estatais no desempenho das empresas.
A primeira coisa que salta aos olhos é a fantástica recuperação que elas tiveram assim que saíram das mãos do Estado. Os números impressionam. Verifica-se um crescimento expressivo nos indicadores de saúde financeira a partir do momento em que os gestores se libertaram da ingerência política inerente a uma estatal e puderam tocar as empresas segundo a lógica da economia de mercado. No caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por exemplo, o faturamento pulou de 1,5 bilhão de reais em 1994 para mais de 12 bilhões no ano passado. Movimento semelhante observa-se nos dados da Usiminas, cujo faturamento foi multiplicado por 5 desde 1991. O lucro das empresas privatizadas também subiu de maneira assombrosa. No caso da Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas mineradoras do mundo, o lucro saltou de 325 milhões de dólares em 1997 para 1,5 bilhão em 2003. A Embraer é outro exemplo fantástico de recuperação na lucratividade. A empresa amargou um prejuízo de 321 milhões de reais em 1994. No ano passado, o lucro foi de quase 600 milhões.
O sucesso dessas empresas tem sido vital para o desenvolvimento do Brasil. O exemplo do setor de telefonia é revelador. Desde 1997, ano do leilão das empresas telefônicas, o país saiu do tempo das cavernas em matéria de telefonia para contar com tecnologia de ponta. O maior beneficiário tem sido o cidadão comum. O número de linhas fixas e de celulares no país saltou de 27 milhões em 1998 para os atuais 105 milhões. Outro setor privatizado que tem tido resultados expressivos é o ferroviário. Sucateadas nos últimos anos do período estatal, as empresas hoje privadas têm recebido um aporte considerável de investimentos. Vendida em 1997, a América Latina Logística (ALL) é um bom exemplo da recuperação observada no setor. A malha de trilhos passou de 6 300 quilômetros em 1997 para os atuais 7 200 -- e o volume transportado mais que dobrou. Recuperação semelhante se observa no setor rodoviário -- pelo menos nas estradas que foram privatizadas. Segundo balanço da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que reúne 36 concessionárias em sete estados, o investimento realizado desde 1998 soma quase 10 bilhões de reais. "São exemplos de como a privatização pode ter impactos que se multiplicam na economia", diz o economista Celso Toledo, da consultoria MCM. "Dá para imaginar as empresas do país funcionando sem telefones ou o agronegócio sem formas de escoar a produção?"
É interessante acompanhar o que aconteceu com o emprego nas empresas que saíram das mãos do Estado. Os críticos da privatização sempre afirmaram que a lógica da competição obrigaria as ex-estatais a demitir milhares de funcionários. De fato, num primeiro momento, foi exatamente o que aconteceu com a maioria delas. Algumas operam até hoje com menos funcionários, apesar do expressivo crescimento da produção. A ALL é um exemplo -- o número de funcionários caiu pela metade desde a privatização. No entanto, há também vários casos mostrando o contrário. Muitas companhias ganharam musculatura ao passar para o setor privado e, com o tempo, sentiram necessidade de contratar. O caso da Embraer é emblemático. O crescimento espetacular na venda de aviões -- as encomendas saltaram de quatro aviões em 1996 para 148 no ano passado -- foi acompanhado de aumento no pessoal. O quadro de funcionários dobrou. Também foi o que ocorreu com a Vale -- o número de empregados passou de 17 000 em 1997 para 30 000 em 2003.
O governo também parece ter ganhado no processo. Como boa parte das empresas dava prejuízo (ou, na melhor das hipóteses, obtinha um lucro modesto), o volume de impostos e dividendos pagos à União não era dos maiores. A recuperação das companhias trouxe de volta o lucro -- e o caixa do governo saiu ganhando. A CSN, por exemplo, não pagou nenhum dividendo ao governo em seu último ano como empresa estatal (1992). No ano passado, entrou mais de meio bilhão de reais em impostos nos cofres públicos. É exatamente o montante pago por outra empresa privatizada, a Embraer. Mas o be nefício das privatizações não foi apenas obtido com a receita de impostos. O governo ganhou também com o dinheiro obtido nos leilões de privatização. Ao todo, foram arrecadados 105 bilhões de dólares, dinheiro utilizado para abater a dívida pública. Essa redução no endividamento traz dois ganhos para o setor público. Por um lado, há uma queda imediata no tamanho da dívida do governo -- estimada por especialistas em cerca de 4% do PIB. É um efeito que se observa no momento da venda. Mas há também um efeito secundário nos anos subseqüentes. Como a dívida cai, o governo deixa de pagar juros sobre essa parcela. Portanto, na hora de contabilizar o impacto fiscal das privatizações, é preciso somar as duas parcelas. Além disso, é necessário considerar que a crise fiscal das últimas décadas praticamente inviabilizou o investimento público. Portanto, ao vender as estatais o governo se livra de um ônus crescente em termos de gastos nessas empresas. "Nenhuma companhia pode se dar ao luxo de ficar anos sem investir", diz o consultor Sérgio Abranches. "Mas o Tesouro vinha tendo dificuldades crescentes de dar conta do recado, o que jogava as estatais rapidamente para a obsolescência."
Não deixa de ser curioso que a privatização, apesar de tantos números positivos, tenha atualmente tão poucos defensores. Parte da explicação está na crise energética de 2001. Naquela época, os partidos então na oposição, capitaneados pelo PT, venderam a idéia de que a falta de luz devia-se à privatização do setor energético. A maioria dos especialistas discorda do diagnóstico, já que os problemas se concentraram na geração de energia, que continuava (e continua) em mãos estatais. "Mas o fato é que as pessoas passaram a associar a privatização com algo negativo para o bem-estar geral", diz o economista Fábio Giambiagi, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Também não ajudou a defesa tímida, quase envergonhada, dos representantes do governo passado. "Como, de um lado, havia muita gente criticando e, de outro, ninguém defendendo, passou a idéia de que a privatização não era mesmo uma coisa boa."
Mas talvez o principal motivo para a falta de apoio à idéia da privatização, especialmente nos meios políticos, seja o efeito que a venda de estatais traz à vida em Brasília. Conta-se aos milhares o número de cargos públicos que foram eliminados pelo programa de desestatização. Só a Telebrás tinha 27 subsidiárias nos estados, todas com o seu presidente, diretores e dezenas de assessores. A privatização acabou com um festival de nomeações de apadrinhados políticos. "Não há dúvida de que a insatisfação dos políticos foi um fator que ajudou a barrar a privatização nos últimos anos", diz o economista Armando Castelar Pinheiro, do Ipea. Portanto, quando ouvir algum político de Brasília reclamando da privatização -- seja ele um deputado, um ministro ou o presidente da República --, convém lembrar que não se trata de uma opinião desinteressada. É saudade dos bons tempos do empreguismo.
André Lahoz. Revista Exame
(Observação: os números, hoje, em 2015, são ainda mais significativos, em termos de lucratividade, para todas as empresas aqui citadas. Prof. Murilo)
Ao atacar as privatizações feitas ao longo da década de 90, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou duas acusações aos governos de seus antecessores. A primeira, fartamente debatida nas últimas semanas, é a de corrupção -- supostamente denunciada a Lula por um alto integrante de seu governo, que em troca teria recebido do próprio presidente uma ordem direta para acobertar o crime. Conforme o tempo passa e nem uma única prova aparece para dar embasamento à acusação, fica a impressão de que tudo não passou de mais um escorregão verbal que tristemente vai se tornando uma marca registrada de Lula. Sobra então a segunda acusação embutida na fala presidencial -- a de que o processo de desestatização teria acarretado prejuízo ao país. Trata-se de uma repetição da velha crítica feita pela esquerda sobre certa "onda neoliberal" que teria se abatido sobre o país nos anos 90 e fragilizado a economia brasileira. Nesse caso, o melhor a fazer é simplesmente abandonar preconceitos ideológicos e fazer uma avaliação objetiva dos resultados da privatização no Brasil. Foi o que fez EXAME. O quadro ao lado traz um resumo do efeito da venda das estatais no desempenho das empresas.
A primeira coisa que salta aos olhos é a fantástica recuperação que elas tiveram assim que saíram das mãos do Estado. Os números impressionam. Verifica-se um crescimento expressivo nos indicadores de saúde financeira a partir do momento em que os gestores se libertaram da ingerência política inerente a uma estatal e puderam tocar as empresas segundo a lógica da economia de mercado. No caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por exemplo, o faturamento pulou de 1,5 bilhão de reais em 1994 para mais de 12 bilhões no ano passado. Movimento semelhante observa-se nos dados da Usiminas, cujo faturamento foi multiplicado por 5 desde 1991. O lucro das empresas privatizadas também subiu de maneira assombrosa. No caso da Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas mineradoras do mundo, o lucro saltou de 325 milhões de dólares em 1997 para 1,5 bilhão em 2003. A Embraer é outro exemplo fantástico de recuperação na lucratividade. A empresa amargou um prejuízo de 321 milhões de reais em 1994. No ano passado, o lucro foi de quase 600 milhões.
O sucesso dessas empresas tem sido vital para o desenvolvimento do Brasil. O exemplo do setor de telefonia é revelador. Desde 1997, ano do leilão das empresas telefônicas, o país saiu do tempo das cavernas em matéria de telefonia para contar com tecnologia de ponta. O maior beneficiário tem sido o cidadão comum. O número de linhas fixas e de celulares no país saltou de 27 milhões em 1998 para os atuais 105 milhões. Outro setor privatizado que tem tido resultados expressivos é o ferroviário. Sucateadas nos últimos anos do período estatal, as empresas hoje privadas têm recebido um aporte considerável de investimentos. Vendida em 1997, a América Latina Logística (ALL) é um bom exemplo da recuperação observada no setor. A malha de trilhos passou de 6 300 quilômetros em 1997 para os atuais 7 200 -- e o volume transportado mais que dobrou. Recuperação semelhante se observa no setor rodoviário -- pelo menos nas estradas que foram privatizadas. Segundo balanço da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que reúne 36 concessionárias em sete estados, o investimento realizado desde 1998 soma quase 10 bilhões de reais. "São exemplos de como a privatização pode ter impactos que se multiplicam na economia", diz o economista Celso Toledo, da consultoria MCM. "Dá para imaginar as empresas do país funcionando sem telefones ou o agronegócio sem formas de escoar a produção?"
É interessante acompanhar o que aconteceu com o emprego nas empresas que saíram das mãos do Estado. Os críticos da privatização sempre afirmaram que a lógica da competição obrigaria as ex-estatais a demitir milhares de funcionários. De fato, num primeiro momento, foi exatamente o que aconteceu com a maioria delas. Algumas operam até hoje com menos funcionários, apesar do expressivo crescimento da produção. A ALL é um exemplo -- o número de funcionários caiu pela metade desde a privatização. No entanto, há também vários casos mostrando o contrário. Muitas companhias ganharam musculatura ao passar para o setor privado e, com o tempo, sentiram necessidade de contratar. O caso da Embraer é emblemático. O crescimento espetacular na venda de aviões -- as encomendas saltaram de quatro aviões em 1996 para 148 no ano passado -- foi acompanhado de aumento no pessoal. O quadro de funcionários dobrou. Também foi o que ocorreu com a Vale -- o número de empregados passou de 17 000 em 1997 para 30 000 em 2003.
O governo também parece ter ganhado no processo. Como boa parte das empresas dava prejuízo (ou, na melhor das hipóteses, obtinha um lucro modesto), o volume de impostos e dividendos pagos à União não era dos maiores. A recuperação das companhias trouxe de volta o lucro -- e o caixa do governo saiu ganhando. A CSN, por exemplo, não pagou nenhum dividendo ao governo em seu último ano como empresa estatal (1992). No ano passado, entrou mais de meio bilhão de reais em impostos nos cofres públicos. É exatamente o montante pago por outra empresa privatizada, a Embraer. Mas o be nefício das privatizações não foi apenas obtido com a receita de impostos. O governo ganhou também com o dinheiro obtido nos leilões de privatização. Ao todo, foram arrecadados 105 bilhões de dólares, dinheiro utilizado para abater a dívida pública. Essa redução no endividamento traz dois ganhos para o setor público. Por um lado, há uma queda imediata no tamanho da dívida do governo -- estimada por especialistas em cerca de 4% do PIB. É um efeito que se observa no momento da venda. Mas há também um efeito secundário nos anos subseqüentes. Como a dívida cai, o governo deixa de pagar juros sobre essa parcela. Portanto, na hora de contabilizar o impacto fiscal das privatizações, é preciso somar as duas parcelas. Além disso, é necessário considerar que a crise fiscal das últimas décadas praticamente inviabilizou o investimento público. Portanto, ao vender as estatais o governo se livra de um ônus crescente em termos de gastos nessas empresas. "Nenhuma companhia pode se dar ao luxo de ficar anos sem investir", diz o consultor Sérgio Abranches. "Mas o Tesouro vinha tendo dificuldades crescentes de dar conta do recado, o que jogava as estatais rapidamente para a obsolescência."
Não deixa de ser curioso que a privatização, apesar de tantos números positivos, tenha atualmente tão poucos defensores. Parte da explicação está na crise energética de 2001. Naquela época, os partidos então na oposição, capitaneados pelo PT, venderam a idéia de que a falta de luz devia-se à privatização do setor energético. A maioria dos especialistas discorda do diagnóstico, já que os problemas se concentraram na geração de energia, que continuava (e continua) em mãos estatais. "Mas o fato é que as pessoas passaram a associar a privatização com algo negativo para o bem-estar geral", diz o economista Fábio Giambiagi, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Também não ajudou a defesa tímida, quase envergonhada, dos representantes do governo passado. "Como, de um lado, havia muita gente criticando e, de outro, ninguém defendendo, passou a idéia de que a privatização não era mesmo uma coisa boa."
Mas talvez o principal motivo para a falta de apoio à idéia da privatização, especialmente nos meios políticos, seja o efeito que a venda de estatais traz à vida em Brasília. Conta-se aos milhares o número de cargos públicos que foram eliminados pelo programa de desestatização. Só a Telebrás tinha 27 subsidiárias nos estados, todas com o seu presidente, diretores e dezenas de assessores. A privatização acabou com um festival de nomeações de apadrinhados políticos. "Não há dúvida de que a insatisfação dos políticos foi um fator que ajudou a barrar a privatização nos últimos anos", diz o economista Armando Castelar Pinheiro, do Ipea. Portanto, quando ouvir algum político de Brasília reclamando da privatização -- seja ele um deputado, um ministro ou o presidente da República --, convém lembrar que não se trata de uma opinião desinteressada. É saudade dos bons tempos do empreguismo.
| O efeito da privatização | ||
| Os números mostram que as empresas que saíram das mãos do Estado são hoje muito mais lucrativas do que antigamente. Comparando o desempenho das companhias privatizadas a partir do início dos anos 90, conclui-se que todas ganharam eficiência e operam com maior produtividade. A produção cresceu bastante e o resultado foi um salto significativo no lucro. Confira. | ||
Antes da privatização
|
Depois da privatização
| |
| CSN (Privatizada em 1993) | ||
| Faturamento (em bilhões de reais) |
1,5
|
12,2
|
| Produtividade (toneladas produzidas por funcionário) |
282
|
946
|
| Embraer (Privatizada em 1994) | ||
| Lucro (em milhões de reais) |
-321
|
588
|
| Número de aviões entregues |
4
|
148
|
| Vale do Rio Doce (Privatizada em 1997) | ||
| Faturamento (em bilhões de dólares) |
3,9
|
5,5
|
| Fatia das vendas no mercado mundial |
19%
|
33%
|
| ALL (América Latina Logística) (Privatizada em 1997) | ||
| Faturamento (em milhões de reais) |
194
|
854
|
| Volume transportado (tonelada por km) |
6
|
14
|
| Telefônica (Telesp) (Privatizada em 1998) | ||
| Faturamento (em bilhões de reais) |
4
|
13
|
| Tempo de instalação de uma linha |
Até 4 anos
|
Até14 dias
|
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